Justice carrega a cruz no Skol Beats

29 Set

Difícil imaginar um evento de música eletrônica sem bebidas energéticas? Nem tanto. Anteontem, na 9ª edição do SkolBeats, as 15 mil pessoas que foram ao sambódromo do Anhembi, em São Paulo, encontraram um menu sonoro com mais opções do que o de drinques. Os estilos das 25 atrações, escolhidas via internet pelo público entre maio e julho, foram do drum n’ bass do sexteto australiano Pendulum ao electro rock feito pelo duo francês Justice. O primeiro parecia um show de axé, o segundo uma celebração religiosa.

O evento começou às 19h com as batidas (para lá de batidas) da paulistana Killer on the Danceflor: do pop de Rihana ao grunge do Nirvana. Surgiu, então,  o cearense Montage, em aparição truncada. Em Money, sucess, fame, glamour, o performático vocalista Daniel Peixoto simulou sexo com metade dos equipamentos do palco. O Mixhell, formado pelo baterista Iggor Cavalera e sua mulher Laima Leyton, repetiu a dobradinha de sexta, no Rio. Mais uma vez, tocou antes do Justice. Outra repetição ficou por conta do remix de Kids, do MGMT. A música da banda americana já havia sido manipulada pelo Killer on the Danceflor. Como foi no Circo Voador, o mais interessante do Mixhell é quando Cavalera abandona os botões e se dedica às baquetas: em exibição aplaudida no instrumento com o qual se notabilizou no Sepultura, seu ex-grupo.

Em seguida, o Justice voltou a provar que não está sozinho. No maior sucesso de Gaspard Auge e Xavier de Rosnay,  We are your friends, a alegoria que os acompanha (uma cruz) ganha vida. A dupla está no palco, mas desaparece de cena. O refrão “Because we are your friends, you’ll never be alone again” parece entoado pelo símbolo, que pisca de acordo com a emissão das palavras. Jutam-se também aos integrantes uma parede de amplificadores e a iluminação apropriada para o clima de culto, essencial  nos hits DVNO, D.A.N.C.E. e Stress. São vários gestos, incluindo o famoso sinal dos metaleiros com os dedos mínimo e indicador levantados. Mas nada de comunicação verbal.

Rob Swire, vocalista do Pendulum, falou por todos os artistas. Puxou coros e correu em frente à platéia dando tapas na mão de seus fãs. “Quero ouvir barulho” e “Pule, pule, pule” foram alguns de seus convites. O som é como se Fernanda Porto vestisse camisa do Sepultura e bandana do Chiclete com Banana. O público não se importou com os clichês e cantou até as partes do sintetizador. Foi então que uma gravação anunciou: “Senhoras e senhores, interrompemos o show para avisá-los que a música em seguida pode não ser recomendada para os que têm coração fraco”. Se era para evitar enfartes por overdose de chavões, o aviso deveria ter sido dado no começo. Também se apresentaram a alemã Digitalism, o holandês Armin Van Buuren,  e os brasileiros Marky e Gui Boratto, o último a tocar, às 7h de ontem.

Por Braulio Lorentz – publicada hoje no Caderno B

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