Keane volta sem medo de ser cafona

7 Out

Se o pop dançante atual fosse uma prova de atletismo – uma espécie de revezamento percorendo as pistas de dança – a banda britânica Klaxons já teria para quem passar o bastão (fluorescente). Enquanto eles tentam se distanciar da new (w)rave, o trio inglês Keane parece preparado para assumir o papel. Mesmo que seja de bobo. Terceiro disco do grupo, que surgiu em 2004 com baladas nas quais o piano era o fio condutor, e que agora pela primeira vez conta com guitarras, Perfect symmetry foi lançado no site Last.fm, nesta segunda-feira, e chega às lojas no dia 13, via Island/Universal.

O álbum estampa uma banda segura e coerente com as dezenas de comentários que publica no blog do site oficial keanemusic.com. “Pegamos o trem para Berlim, onde tudo se juntou em uma avalanche de experimentação que nos deixou surpresos. Fizemos um pacto com Stuart Price para ignorar as regras do bom gosto”, revelou o trio, em post divulgado no fim de julho.

Price, co-autor e co-produtor de Confessions on a dance floor (2005), de Madonna, também pintou de tons festivos faixas de Missy Elliott e Gwen Stefani. Outro aliado da banda é Jon Brion, que assina entre os produtores, e é famoso por ter concebido a trilha de filmes como Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Magnólia.

O álbum começa jogando as expectativas na altura do globo espelhado. A divertida Spiralling, primeira música divulgada do álbum, tem timbres que parecem ter escapado da fase oitentista de David Bowie. Ao final, o vocalista Tom Chaplin enfileira perguntas que vão de “Você quer ser um vencedor?” a “Você quer se apaixonar?”, todas indagadas com o tom de voz mais canastrão da temporada. Na declarada fuga do bom gosto, o grupo se afasta da pretensão que tanto vitimou o Keane, famoso por (bonitas) baladas sisudas e rocks de sofá sem um pingo de senso de humor.

Desprendida, a banda brinca de fazer dançar e entrega letras bem mais nonsense do que as dos discos anteriores, especialmente em Pretend that you’re alone, da qual merecem ser pinçados conselhos como: “Esqueça-se da moda/Esqueça-se da lei/Finja que está sozinho agora”. A faixa hipnotiza por meio de um groovezinho insistente e o final é feito sob medida para ser cantado por um coral de bêbados. Escolhida como primeiro single, Lovers are losing é uma das mais sóbrias e despista os ouvintes das reais intenções do álbum.

You don’t see me e Playing along remetem aos tempos em que o piano carregava as canções nas costas. É sobretudo nessas passagens mais sossegadas que o vocal de Chaplin insiste em trazer à memória a lembrança de Bono, do U2. Mesmo que se esforce para escamotear a sombra do ídolo – o Keane começou como banda cover do quarteto irlandês – a semelhança permanece causando certa aflição.

Por Braulio Lorentz – publicado no Caderno B de hoje

Uma resposta to “Keane volta sem medo de ser cafona”

Trackbacks/Pingbacks

  1. O pop safado venceu « Poparada - 26 Novembro, 2008

    […] os nomes de Amy Winehouse e Lily Allen quando falarem dele. Pois é, no CD novo do Keane eu já babei. No próximo post, vamos ao Killers. Por enquanto, fique com a faixa que tem participação de […]

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