Ao mesmo tempo: JMC e Foals defendem seus shows

3 Nov

Mesmo que o Planeta Terra – festival que no próximo sábado recebe 15 mil pessoas na Villa dos Galpões, em São Paulo – se apóie em retornos ao Brasil de medalhões do rock alternativo (The Jesus and Mary Chain e Breeders); e na estréia de bons nomes da cena inglesa (Foals, Bloc Party e Kaiser Chiefs) e americana (Animal Collective e Spoon), não é apenas a programação que fez com que todas as entradas se esgotassem, diferentemente da escalação pop-pobre do Tim Festival.

– Você vê pessoas paradas no meio do caminho tentando se decidir. É uma das características que fez o festival ser bem-sucedido – garante Alexandre Cardoso, diretor de Marketing do Terra, sobre a segunda edição do evento que leva o nome do portal. – Nossa preocupação não é que todos consigam ver tudo. Ou você terá o festival do Foals ou o do The Jesus and Mary Chain. Cada um tem uma experiência.

Liderada pelos irmãos escoceses Jim e William Reid, o JMC começou a fazer barulho em 1984, com show antológico no Canecão seis anos depois, antes da separação em 1999. Voltou em abril de 2007, no festival californiano Coachella.

– Devemos tocar duas ou três novas. E o resto só de música velha – conta William, em entrevista por telefone ao Jornal do Brasil. – Tenho duas lembranças do país. A grande estátua de Jesus estava em reparos e tinham repórteres de TV agitados na chegada ao aeroporto. Foi estranho.

Dentre as canções da safra oitentista há espaço para clássicos do álbum mais bajulado, Psychocandy (1985).

– É um ótimo trabalho. Mas fizemos outros bons discos. Não entendo essa insistência em falar tanto do Psychocandy. Não sei por que gostam tanto de focar num álbum só. Darklands (1987) é provavelmente o meu preferido.

Ao saberem que sua estréia em palcos brasileiros está marcada para o mesmo horário da lenda underground Jesus and Mary Chain, Yannis Philippakis, guitarrista e vocalista do Foals, vê-se obrigado a defender com mais dentes do que unhas o som indie psicodélico e dançante de seu grupo.

– Não pego a guitarra e fico preso tocando os acordes. Não somos como o Libertines ou a maioria das bandas da cena britânica – define-se Philippakis, em entrevista por telefone ao Jornal do Brasil.

Para o descendente de gregos, a explicação é genética:

– Minha família não é inglesa. Nosso passado não é estritamente britânico. Na banda temos diferentes culturas e atmosferas para nos afastar do pop que foi feito no passado. É uma preocupação que as bandas do britpop parecem não ter. Não estamos aqui para manter a tradição da canção pop britânica. É uma repetição: são sempre as mesmas bandas e as mesmas músicas. Fora o Bloc Party, há outras grandes atrações.

Cardoso agradece o elogio e dá a receita:

– Não temos objetivo de fazer o festival mais pop. Queremos trazer algo que está acontecendo no mundo e que não necessariamente é o que todo mundo conhece. O que fez o sucesso deste ano foi exatamente o público se identificar com algo diferente. Uma das queixas é que a edição passada acabou cedo. Vai terminar um pouquinho mais tarde.

Por Braulio Lorentz – publicado ontem na capa do Caderno

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