O centroavante no lugar errado e na hora errada

4 Nov

Futebol também está entre os assuntos prediletos da casa.
Tenho pilhas de Placar (da qual hoje sou colaborador bissexto).
Este texto é de julho de 2005 e não foi publicado em lugar algum, apesar da insistência:

O Forest Gump do futebol tem nome e sobrenome. Na verdade são dois nomes e dois sobrenomes: Mário Jorge Lobo Zagallo. O único tetracampeão mundial da história sabe como poucos estar no lugar certo e na hora certa. O Forest Gump às avessas do planeta bola também nasceu e cresceu em gramados brasileiros.

Grafite é o esportista que mais vezes deve ter dito a frase: “Isso tinha que acontecer comigo!”.O centroavante obteve projeção no São Paulo, mas antes já tinha se deparado com situações no mínimo inusitadas. Como na vez em que atuando pelo time do Campo Limpo viu de perto o gandula entrar em campo e evitar um gol do adversário, em partida válida pela série B do Campeonato Paulista. Outro fato curioso, porém trágico, foi a morte do zagueiro Serginho, do São Caetano. Você provavelmente reparou na curiosa presença de Grafite no lance do óbito. Caso não se lembre, serei um bocado mais incisivo: Serginho morreu no pé dele!

Mesmo com imprevistos do quilate de ter que dar um passinho para o lado para zagueiros morrerem, Grafite colecionou boas atuações pelo São Paulo. Ganhou então uma vaga na seleção de Parreira no amistoso de aniversário da Rede Globo, contra a Guatemala. O centroavante correspondeu às expectativas e foi convocado para sua primeira partida oficial com a camisa amarela, no clássico Argentina X Brasil. Um jogo antes de embarcar para Buenos Aires, ele se machucou. Viva a coerência! Seis meses sem jogar. Por falar em argentinos, dois meses antes da contusão, Grafite chamou a atenção da mídia ao lado do zagueiro Desábato. O jogador do Quilmes foi acusado de racismo, passou a noite na cadeia e tudo mais. Mas lá estava Grafite, em mais um episódio incomum.

Faz sentido, portanto, a propaganda da Globo.com sobre o Brasileirão 2005 com cenas de jogos do campeonato. Na peça publicitária, em vez de uma bola, o que se vê é um balãozinho vermelho com os dizeres “R$ 9,90”. No que a bola estranha é lançada para um ator que fica baqueado ao dominar o tal balãozinho com a cabeça. O ator é negro e usa a camisa nove do São Paulo. Perseguição? Nada disso. Grafite é Forest Gump até na ficção. E quem comprar os direitos da excêntrica história de Grafite terá em mãos um best-seller. Fica aí a sugestão.

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