“Se não tocarmos ‘Rio’ todos vão se revoltar”

15 Nov

Simon Le Bon (vocal), Nick Rhodes (teclado), John Taylor (baixo) e Roger Taylor (bateria) sabem bem. Não há chance de, na passagem pelo Rio no dia 23, os integrantes do Duran Duran ignorarem a música que há 26 anos carrega o nome da cidade. O show no Vivo Rio, no Parque do Flamengo, com ingressos entre R$ 420 e R$ 240, é o primeiro por aqui após a passagem pelo Hollywood Rock em janeiro de 1988.

– São mais de 20 anos de música que temos para nos basear – diz o baixista do Duran Duran, em entrevista ao Jornal do Brasil, por telefone, de Los Angeles. – É como um jogo. Temos que destacar isso e aquilo, mas incluímos outras não tão conhecidas. Se não tocássemos Rio, as pessoas se revoltariam.

O grupo, que nunca deixou de existir e voltou com formação original em 2001, vem ao país para divulgar seu 12º disco, Red carpet massacre (2007).

– Brincamos que cada álbum vem com a afirmação: “É o melhor que fizemos”. Temos que acreditar. Talvez, depois vamos assumir: “OK, era uma m…” – diverte-se John.

duranduranrs

A banda já vendeu mais de 70 milhões de discos em 30 anos de carreira e manteve relações não muito amistosas com a imprensa.

– Críticas não me interessam. Se o CD já está feito e lançado, para que ler sobre o que poderia mudar? Pelo menos durante a turnê você tem que acreditar no disco – explica.

O músico de 48 anos lamenta ter ficado tanto tempo sem ter tocado no Rio, já que considera “o espírito da platéia fantástico”.

– Cansamos de fazer show nos mesmos lugares. Precisávamos variar – conta.

A vontade de conquistar os cariocas não significa que o clima de best of Duran Duran vai prevalecer em todo o espetáculo. O quarteto deve acrescentar um pedaço do megamix do produtor Mark Ronson, apresentado na íntegra num show único em Paris, em julho:

– A proposta é desafiadora com mistura de samples do Prince, Blur, músicas nossas. É um ângulo diferente de ver nosso trabalho.

E existe chance de continuarem trabalhando com o padrinho de Amy Winehouse e Lily Allen?

– Gostaríamos de trabalhar com Ronson. Muitos não sabem, mas ele é bom músico, não só produtor de primeira – derrete-se. – Seria bom fazer algo novo. Aquela parceria foi uma vez só. Não sei se vai sair em CD, DVD ou se faremos outros shows. Pode ser que sim.

A ligação com as novas safras do pop não pára por aí. Ao nome de Ronson é somado o de outra sensação inglesa: o Arctic Monkeys, formado por integrantes com 20 e poucos anos. O hit I bet you look good on the dancefloor faz citação a Rio. E Teddy picker pega emprestado trecho da letra de Save a prayer.

– I bet you look good… foi a melhor música de 2006/2007. É fantástica. Eles são os melhores dos últimos 10 anos – exalta Taylor. – Conheci o baterista e comentei com ele sobre as citações.

John se diz fã das bandas americanas de pop psicodélico MGMT e Animal Colective. Mas a maior procura é por CDs de baixistas.

– Meus preferidos são Paul McCartney e George Murray (David Bowie). A performance em Station to station é formidável.

Para fechar, explica por qual motivo, após ter sido um dos fundadores do grupo, debandou em 1997, para só voltar em 2001:

– Estava de saco cheio. Precisava sair. Tudo parecia um sacrifício. Estava num segundo casamento, precisando cuidar de filha e enteada.

E como foi o regresso?

– Fiz um show com o Simon em Nova York. Foi divertido. Conversamos num almoço sobre a volta. Não sinto que abandonei a banda. É como se estivesse desde o início.

Por Braulio Lorentz – Publicada em 16/11/08 no Jornal do Brasil

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