O CQC no lugar certo

16 Nov

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Qual a importância de um prêmio? Aliás, qual a importância de um prêmio de música? Melhor: qual a importância do Grammy Latino? Até o minuto em que Marcelo Tas e Daniela Cicarelli pisaram o palco do Auditório Tim, em São Paulo, nenhum. Dali, até o fim, mudou de status. Virou uma grande comédia. A cerimônia, realizada na quinta-feira à noite com contornos hollywoodianos e transmitida pela Band, tinha tudo para salvar o prêmio criado por hispanos radicados em Miami de uma insignificância estabelecida desde 2000. Mas a perna brasileira da nona edição do evento, manca, foi uma sucessão de absurdos e enterrou de vez sua existência. Pela primeira vez realizada fora dos Estados Unidos, quem ganhou os gramofones dourados voltou para casa de mãos vazias e sem poder fazer os tradicionais agradecimentos. O desengraçado CQC não precisou nem fazer esforço. O programa de humor estava no meio de uma usina de gafes divertidíssimas.

Foi de chorar de rir. Membros da produção do Grammy Latino passavam na frente das câmeras, enquanto Tas parabenizava “César e Menotti”, sem se dar conta de que a dupla dona da Melhor Música Romântica era César Menotti & Fabiano. Nada, porém, supera o que aconteceu com as Irmãs Galvão, que deveriam anunciar o vencedor da categoria Melhor Álbum de Música Tradicional Regional. Elas receberam, no entanto, o envelope com o nome de Seu Jorge, que levou (ou melhor, vai receber em casa) a estatueta de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Chitãozinho & Xororó eram os verdadeiros ganhadores.

– A troca dos envelopes foi um acidente, mas foi um gancho para levantarmos o astral dos que estavam presentes – justifica-se Meire Galvão. – Talvez por inexperiência não refleti antes de ler o nome. Se eu tivesse lido e pensado um segundo, daria para pedir a troca dos envelopes e corrigir o mal-entendido. Mas o ocorrido foi por conta do nervosismo, nada mais.

Tas defende o indefensável:

– Não se pode ter pensamento de cachorro magro e ficar chorando pelos defeitos. É engraçado como o Brasil valoriza o erro, e não o acerto. É engraçado, porque quando tem falação o pessoal reclama. E quando não tem também reclama.

Para uma premiação que se mostrou mambembe e com apresentadores, equipe técnica e convidados inseguros, não é de bom tom estampar micos nas vinhetas da cerimônia, ao lado de borboletas e outros bichos. Mas Tas achou um culpado: Supla, que chamou ao palco o CPM 22, vencedor na categoria Melhor Álbum de Rock Brasileiro, mesmo avisado de que os ganhadores comemorariam só da platéia.

– O Supla foi populista, parecia a mãe dele, coisa meio boba, infantil. Ele deveria se poupar de pagar esse mico. Ele sabia qual era o formato. Para que falar do Supla? Prefiro falar de quem vende milhões de discos como Chitãozinho & Xororó.

E o cantor rebate:

– Nem eu nem o Falcão sabíamos que não poderíamos chamar o CPM 22 para o palco. O Tas deveria aprender a apresentar antes de falar alguma coisa. Aliás, nem sei por que ele apresentou, se nem do meio da música ele é. Ele gaguejou, trocou nomes e entrou tremendo no palco. Da minha mãe todo mundo sabe, vamos falar então da dele.

Idealizador do Prêmio Tim, José Maurício Machline rebaixa o Grammy Latino definitivamente:

– O evento foi apenas uma festa para agradar ao mercado. Acho um constrangimento para o artista ganhar um prêmio e não poder subir ao palco para recebê-lo. Ele está ali para quê? Para assistir a um show?

Diretor da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) na América Latina e um dos organizadores do Grammy Latino, Raul Vazquez é protocolar, mas reconhece as falhas da estréia:

– Não tive oportunidade de ver tudo, mas acredito que, apesar de toda a boa vontade e do trabalho das equipes da Academia e da Bandeirantes, cometeram erros. Mas não são irremediáveis. Foi só o primeiro passo, rumo ao caminho correto.

Em comunicado, a assessoria de imprensa da Band se justificou sobre o sumiço das estatuetas:

– Foi uma decisão artística e conceitual da Band. A entrega dos gramofones vai ser feita pela Academia na casa do ganhador.

Gabriel Abaroa, presidente da Academia Latina contemporiza:

– Estamos satisfeitos com os resultados.

Por Braulio Lorentz e Fernanda Pereira Carneiro – publicada hoje no Jornal do Brasil

3 Respostas to “O CQC no lugar certo”

  1. Taís 17 Novembro, 2008 às 1:03 pm #

    bem legal a matéria!
    não é a toa que o grammy foi parar também no pânico, esse domingo… fiquei impressionada com os erros, nem se tudo desse errado daria tão errado assim

  2. MARCEL 17 Novembro, 2008 às 8:25 pm #

    FOI A PRIMEIRA VEZ Q ALGUEM DO CQC CONSEGUIU ME FAZER RIR(ELES SÃO MUITOS RUINS).RIR DELES É CLARO.

  3. Karol Martins =) 28 Novembro, 2008 às 10:31 pm #

    Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…o pessoal ficou tãoooooooo queimado com os erros do Grammy!!!
    Quem dera se todo mundo preocupasse com os erros políticos,erros na educação,erros que cometem a todo o tempo com todo mundo…
    Talvez o mundo fosse um lugar mais justo de se viver…
    Quem sabe o Povo Brasileiro aprende a valorizar mais as oportunidades que recebe ao invés de criticar???

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