James Blunt X eu (fight!)

23 Nov

Por mais que James Blunt use o termo “mágica” para explicar os quase 15 milhões de cópias vendidas de seus dois CDs, outro termo resume o sucesso do inglês no Brasil, onde faz seus primeiros shows em janeiro, solo e abrindo para Elton John: “novelas”. Foi com um empurrão delas que o baladeiro de 34 anos emplacou Carry you home (A favorita), Same mistake (Duas caras) e seu maior feito, You’re beautiful (Belíssima), a segunda música mais tocada nas rádios brasileiras em 2006.

– Se estivesse cansado com tantas viagens, pararia com shows. Estar no palco é uma mágica, música é mágica – define, em entrevista por telefone ao Jornal do Brasil, pouco antes de tocar na cidade canadense de Grand Praire, com só 40 mil habitantes.

Blunt diz não saber se Elton John e ele têm público semelhante.

– Mal consigo definir quem é minha própria platéia. É muito diversa. Tem todas as idades, raças e religiões – diz.

Apoiado nas canções do disco All the lost souls (2007), o compositor passou pelos cinco continentes, mas garante que as apresentações na Praça da Apoteose, em 9 de janeiro, e em São Paulo, dois dias antes, são o ponto alto do giro mundial. Aos shows de abertura foram somadas performances solo em Porto Alegre (27) e São Paulo (29).

“Divido lágrimas e sentimentos”

– Imagino que o público brasileiro seja acolhedor e apaixonado por música – enaltece. – Divido lágrimas e sentimentos com gente que não fala minha língua. Quero receber a resposta dos brasileiros. Dialogar, mesmo que não falemos o idioma um do outro.

A história do inglês começou após passagem pelo Exército britânico. Blunt é ex-militar e esteve na Guerra de Kosovo (1996–1999).

– Alistei-me porque pagariam meus estudos. Lidei com política e morte. Ser um soldado me trouxe vivência. Aprendi sobre perdas, arrependimentos e tristezas.

Os ensinamentos dos tempos em que esteve em missão de paz param por aí? Não.

– Descobri mais sobre a humanidade. O mundo pode ser um lugar melhor para os que estão aqui tentando sobreviver.

Imprescindível em sua carreira, a produtora Linda Perry foi a primeira a apostar em rascunhos de hits. Ela liderou o grupo 4 Non Blondes, do megahit noventista What’s up.

– Não faço parte do mercado. Não conheço as músicas da Linda, só um ou outro hit – reconhece. – Ela é muito gentil, me ajuda a fazer os discos que quero fazer. Tive carta branca para que seguisse meus instintos. Ela é meu braço direito.

Ao ser perguntado sobre a importância de algumas canções em detrimento de outras, ele escapa:

– Não faço músicas individuais, componho trabalhos. Mas You’re beautiful vai ser um grande momento. Sei que é um sucesso e toca muito nas rádios brasileiras.

Reprovado pela ‘Rolling Stone’

O braço esquerdo de Blunt também tem nome. E sobrenome. Tom Rothrock produziu o segundo álbum e o primeiro, Back to bedlam, de 2004.

– Ele entendeu o que eu queria fazer. Somos amigos. Nossas mentes se conectam.

A trajetória do hitmaker se parece com a de outros: tem muitos fãs que derramam lágrimas por ele, ao mesmo tempo em que recebe bordoadas de críticos. A revista Rolling Stone descreveu All the lost souls como um CD que contém “baladas esquecíveis que fazem o Coldplay parecer o Arctic Monkeys”. Críticas como essa chateiam?

– O que me incomoda é você ter feito essa pergunta – rebate.

Após uma breve pausa, começa a enumerar seus atos:

– Ontem toquei para 15 mil pessoas e hoje vou tocar para 5 mil. Venho me apresentando para milhares de fãs. E eles não são críticos musicais. Eles são honestos, gostam do meu trabalho porque se identificaram. Prefiro falar sobre isso.

Por Braulio Lorentz – publicado no Jornal do Brasil de 23/11/2008

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