Quero ser Galvão Bueno

28 Nov

O sistema de apostas on-line Bwin não está apenas nos uniformes de Milan e Real Madrid. O serviço dá as caras em pelo menos meia centena de estádios brasileiros: do Castelão, em Fortaleza ao Olímpico, em Porto Alegre. Empresas de comentário em tempo real como Running Ball e Live com 365 recrutam torcedores dispostos a narrar, por meio de seus telefones celulares, partidas das três divisões do Campeonato Brasileiro, da Taça Libertadores, Copa do Brasil e de campeonatos estaduais.

São 35 libras por partida ou pouco mais de R$ 111. “Ganhamos esse dinheiro, mas todos os custos são por nossa conta. Não pagamos a ligação, já que eles ligam no celular do narrador, mas temos despesas com ingressos, alimentação e transportes”, explica o jornalista mineiro Marcelo Morato, que trabalha para o projeto há pouco mais de um ano, sobretudo em partidas do time pelo qual torce, o Ipatinga.

Frases pontuais (“pênalti para o time visitante” e “gol do time da casa”, por exemplo) são recebidas por call centers em países da Ásia, como Cingapura,Tailândia e China. O relato é, então, digitado para que clientes, grande parte apostadores europeus associados do Bwin, tenham acesso às informações dos torneios. Eles desembolsam 30 libras – R$ 96 – por embate. Uma das mais importantes do ramo a atuar no Brasil, a Running Ball tem em seu cardápio jogos (de futebol, não ‘de azar’)realizados em 80 países. Por aqui, são 30 narradores, 20 deles por conta dos times da Primeira Divisão. “Geralmente só narro jogos do Ipatinga, mas já fiz uma partida do Democrata contra o Bragantino, na Copa do Brasil deste ano”, lembra Morato.

Sim, existem pessoas no velho continente que desejam saber o que se passa no estádio José Mammoud Abbas, o popular Mamudão. Quando se nota que a página inicial do Bwin tem o torneio europeu de pólo aquático feminino júnior entre os destaques, a sensação de estranhamento, no entanto, vai embora.

Formado em Ciências Econômicas, o gaúcho Miguel Mickelberg, responsável por contratar narradores da Running Ball, é analista numa construtora da capital do Rio Grande do Sul. E gremista. “Quando era comentarista, durante os tempos de faculdade, ganhava entre R$ 600 e mil por mês. Narrava as partidas direto do Olímpico”, conta Mickelberg. Ele defende a empresa que o ajudou a fazer um pé de meia nos tempos de estudo. “Muitos de nossos clientes são sites de aposta, mas não fazemos nada ilegal. Essas empresas, como a Bwin, são de países onde o jogo é legal”.

Por Braulio Lorentz – Publicado em versão enxuta na Placar de Outubro/2008

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