A invasão dos indies nas produções globais

19 Dez

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A abertura é com Viva la vida, sucesso britpop do Coldplay; passa pela dançante That’s not my name, do duo electro roqueiro Ting Tings e por faixas das musas ruivas pianistas Regina Spektor (Fidelity) e Kate Nash (Pumpkin song); até chegar ao hit do assobio das pistas de rock alternativo Young folks, dos suecos Peter, Bjorn and John.

A descrição não é a do repertório de um DJ descolado: trata-se do CD com a trilha sonora internacional de A favorita, no ar na faixa das 21h da Rede Globo. O pop alternativo pulou direto das pistas moderninhas para a novela das oito e outras atrações da grade global.

Mais um caso de queridinhos do rock alternativo que foram parar numa produção da TV Globo teve o Beirut, que não tem CDs lançados no Brasil, como protagonista. A inclusão de Elephant gun na minissérie Capitu, veiculada na semana passada, foi bastante comentada em blogs.

Diretor da atração, Luiz Fernando Carvalho conta por quais motivos a canção do projeto liderado pelo americano Zach Condon foi escolhida.

– Toda a trilha é fruto do meu gosto pessoal – explica Carvalho. – O que importa é a música funcionar na trama, e foi o caso do Beirut. Simplesmente montei uma trilha que me falava ao coração com o que ouvi desde os 18 anos até agora. Como as músicas clássicas, para mim fundamentais até hoje. Não é uma trilha de rock, é variada e atende à necessidade de uma história. Vai de Verdi a Iron Maiden.

José Felipe Calderon é DJ da Maldita, festa roqueira que há 10 anos acontece às segundas na Casa da Matriz, em Botafogo. Ele vê com bons olhos várias músicas escaparem de seu set list para o CD que tem a atriz Mariana Ximenes estampada na capa.

– Acho positivo, é mais uma forma de fazer com que todos escutem coisas diferentes. As pessoas têm preguiça de buscar novos sons e novas bandas – pondera o DJ Zé. – Tem muita gente que reclama num ranço meio indie de querer que não popularizem essa ou aquela música. São artistas que tocamos e são do nosso universo. Espero que isso continue. Tomara que seja uma tendência.

Quem tem desejo semelhante é o DJ Mario Moptop, que carrega no sobrenome artístico a banda da qual é baterista.

– O indie rock está ganhando espaço no mercado, inclusive nas rádios – sentencia Mario, que comanda a festa Rock my Madness, no Pista 3, em Botafogo. – O bacana no caso de Regina Spektor e Kate Nash é que facilita uma aguardada vinda delas para o Brasil. Tem sempre um público que está interessado e não tem paciência e contato, não se atualiza. É legal alcançar um número maior de pessoas.

O DJ e baterista diagnostica:

– Tem a síndrome do underground, o cara quer que só ele conheça certas bandas. É algo errado. O maior número de pessoas tem que conhecer as músicas legais. Quero entrar no elevador e ouvir a minha música. Abre uma janela para esses artistas. No Moptop, percebo isso. Um single vira um cartão de visita e a pessoa quer ouvir mais. É um caminho.

Único brasileiro presente no disco com músicas em inglês que embalam a trama de A favorita, o cantor e compositor brasiliense Tiago Iorc, 23 anos, encaixa Blame na coletânea. Ele conta como é estar em meio a tantas estrelas do indie rock internacional.

– É legal ver que estou entre artistas que admiro, que são de outro nicho e nem sempre estão em novelas – diz Iorc. – De uma forma geral, as trilhas estão indo para esse lado. Estão surgindo muitos artistas novos legais com alcance internacional que acabam não chegando para a grande massa.

Gerentes de promoção internacional da gravadora Universal, Bernardo Palmeira e Danielle Lage indicaram Kate Nash, Tokio Hotel, Peter, Bjorn and John e Gabriela Cilmi para serem incluídos no CD de A favorita.

– Estamos com mais espaço e liberdade para sugerir coisas que vão além dos sucessos incontestáveis – reconhe Palmeira. – É engraçado perceber que a trilha desta novela é baseada estritamente na força das canções que por coincidência são de artistas que estão à margem. Se você correr o circuito independente vê todos cantando essas músicas.

Daniella completa:

– Diferentemente da MTV, em que você trabalha o artista, não há espaço para isso. Quando indicamos, pensamos na força que a música vai ter. Se pode dar um caldo bacana.

Para Palmeira, o processo é simples: a música fica associada ao personagem até que o artista de médio ou pequeno porte venha ao Brasil e tome o hit para si.

– Os produtores da novela estão mais antenados além do mainstream. Quando inserimos música na trilha, promotores de show olham de outro modo para o artista.

Por Braulio Lorentz- publicado hoje no Jornal do Brasil

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